quinta-feira, 30 de outubro de 2008

NEGRO QUANDO EU ERA AGORA SOU

Quando eu era negro, Era um morto vivo
Era o próprio pecado, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o escravo
Era e vivia num inferno, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era um doente psíquico
Era sócio-psicopatológico, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o e a super sexual
Era incapaz de ser monogâmico, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era a poligamia coisa de ancestralidade
Era o machista de carteirinha,Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era a mulher negra a minha coisa
Era o detentor de músculos brutos, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era emoção pura
Era negro a partir de um modelo branco, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o branco meu ideal de ego
Era ser branco o meu sonho, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era ser branco o meu sonho
Era por isso vi um irmão se tornar branco, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era a brancura a norma
Era a cor alva a própria luz no fim do túnel, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era tudo menos um humano
Era o feio, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o mal-cheiroso
Era o narigudo, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o possuidor de cabelo ruim
Era um ectoplasma, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era uma aparência
Era um ser a partir de um guia, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era apenas negro
Era e não sabia que era, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era incapaz de manter uma família
Era especialista em largar uma mulher com filhos por criar, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o maior exibicionista
Era o próprio fútil consumidor, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era ter um diploma universitário a saída
Era ter a “melhor” roupa, Quando eu era negro
Quando eu era negro, Era o representante da meritocracia
Aí quando eu era negro, NEM SEI O QUE REALMENTE EU ERA?!?




Por: Nkuwu-a-Ntynu Mbuta Zawua

Um comentário:

Cândida disse...

Sua poíesis o levar a fazer algo sobre você mesmo, ou seja, mostrar para o mundo as veias pulsantes abertas, não é apenas poesia é a descoberta de um ser a partir de desconstruções. De muita sensibilidade diante de tantas durezas, um trabalho belo de comoção e inspiração da alma.